10 de novembro de 2007

A morte anunciada de um blog, seguida de O testamento de um blogger

O Tremontelo secou. Fez o seu tempo e secou. O Sítio do Tremontelo foi um espaço construído com o corpo e com a palavra.

Lá, no lugar real, entre Santarém e o Cartaxo, feito a trabalho braçal, foi a conversão de um espaço bruto e inóspito num espaço habitável e aprazível. Acabou a obra, mas sabemos que a obra nunca se acaba: é no fim que começam todas as trabalheiras a sério.

Aqui, no espaço virtual, a crónica e o comentário edificaram um recinto de lazer e convívio onde muitos experimentamos os prazeres de ler e escrever e de apreciar imagens.

Entre os dois mundos estabeleceu-se um corredor mitopoiético onde se cruzaram seres humanos, animais e entes de fábula.

Os seus restos mortais ficam em exposição por tempo indeterminado.






O cronista faz saber que:

1. Tudo o que ficou escrito teve a duração da palavra. São sons que partiram daqui e se perderam nos confins do nosso universo físico.

2. Significações, se alguma foi criada, misturaram-se no composto do meu jardim. São flores que irão renascer na próxima Primavera se não forem consumidas pela geada.

3. Sentimentos e ressentimentos, se foram despertados, deverão regressar ao adormecimento sempreterno. Não convindo à sua natureza viver no passado, resta-lhes o olvídio.

4. Ideias, teorias, se as houve, deverão continuar a mente de quem as gerou até à expiação completa dos seus pecados.

5. Fotografias são espólio cultural e propriedade da família do autor.

Etiquetas: ,