A morte anunciada de um blog, seguida de O testamento de um blogger
O Tremontelo secou. Fez o seu tempo e secou. O Sítio do Tremontelo foi um espaço construído com o corpo e com a palavra.Lá, no lugar real, entre Santarém e o Cartaxo, feito a trabalho braçal, foi a conversão de um espaço bruto e inóspito num espaço habitável e aprazível. Acabou a obra, mas sabemos que a obra nunca se acaba: é no fim que começam todas as trabalheiras a sério.
Aqui, no espaço virtual, a crónica e o comentário edificaram um recinto de lazer e convívio onde muitos experimentamos os prazeres de ler e escrever e de apreciar imagens.
Entre os dois mundos estabeleceu-se um corredor mitopoiético onde se cruzaram seres humanos, animais e entes de fábula.
Os seus restos mortais ficam em exposição por tempo indeterminado.
O cronista faz saber que:
1. Tudo o que ficou escrito teve a duração da palavra. São sons que partiram daqui e se perderam nos confins do nosso universo físico.
2. Significações, se alguma foi criada, misturaram-se no composto do meu jardim. São flores que irão renascer na próxima Primavera se não forem consumidas pela geada.
3. Sentimentos e ressentimentos, se foram despertados, deverão regressar ao adormecimento sempreterno. Não convindo à sua natureza viver no passado, resta-lhes o olvídio.
4. Ideias, teorias, se as houve, deverão continuar a mente de quem as gerou até à expiação completa dos seus pecados.
5. Fotografias são espólio cultural e propriedade da família do autor.
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